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Momento de investir?

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Momento de investir?
Momento de investir?

A crise financeira que assolou o mercado de capitais em 2008 deixou muitas cicatrizes nos pequenos investidores. Muitos deles, conhecidos no mercado como “filhos da alta”, nunca tinham passado por uma queda de tamanha proporção. Esses investidores começaram a operar em um mercado em tendência de alta, que apesar de ocasionalmente sofrer algumas realizações de lucro, sempre voltava a subir. De fato, entre 2002 e 2008, o volume de negócios de investidores individuais no mercado à vista subiu de 3,7 bilhões de reais para expressivos 35 bilhões de reais. Esse volume representa 27% de todos os negócios desse mercado na BOVESPA.

Assim, a grande queda nos preços dos papéis observada em 2008 fez com que muitos investidores passassem a questionar seus investimentos e avaliar se o melhor a fazer não seria partir para a renda fixa e deixar as ações para os grandes players.

Nessas horas, a primeira coisa a fazer é olhar para trás e verificar o que as crises anteriores proporcionaram aos que tiraram proveito delas. Duas crises que afetaram significativamente o mercado de ações brasileiro em um passado recente foram a crise das empresas de tecnologia e internet com ações negociadas na NASDAQ, conhecida como a “bolha da internet” e a crise envolvendo o atentado terrorista de 11/set/2001 e seus desdobramentos.

O quadro a seguir mostra, para cada crise citada, o quanto o índice Bovespa caiu do pico ao fundo e qual foi a oportunidade criada no curto e no longo prazo.

Crise
% de queda até o fundo
% de alta no curto prazo
% de alta no longo prazo
Crise da NASDAQ 28% em dois meses 31% em três meses 45% em quatro anos e 87% em cinco anos
Crise do 11/9 28,5% em um mês 35,5% em 2,5 meses e 43% em quatro meses 214% em quatro anos e 264% em cinco anos

Tabela 1 – Índice Bovespa nas crises

O passado nos demonstra que o longo prazo geralmente joga a favor dos que aproveitam os momentos de crise. Isso ocorre porque nesses momentos, a percepção geral de risco fica elevadíssima, fazendo com que os preços dos ativos sejam duramente penalizados e levados a múltiplos fundamentalistas muito atrativos. Se analisarmos, por exemplo, o indicador P/VP (preço / valor patrimonial) da ação preferencial da Petrobrás (PETR4), veremos que nos momentos de crise a empresa foi negociada muito próxima ao seu valor patrimonial, ou seja, quase sem nenhum valor adicional ao patrimônio da empresa. Já nos momentos de euforia, onde as expectativas eram ótimas e a percepção de risco muito baixa, chegou a ser negociada a até três vezes desse mesmo valor.

Uma vez que o investidor esteja seguro e tenha a percepção de que o mercado é cíclico e assim como a subida, a descida faz parte desse jogo, é hora de fazer as avaliações e decidir em quais ativos alocar o capital.

Para fazer as avaliações de maneira segura, o ideal é utilizar métricas e indicadores fundamentalistas, que conseguem vincular o preço de negociação das ações aos seus reais valores de negócio. Tão importante quanto comprar no momento de baixa é saber o que se está comprando. Empresas com sólidos fundamentos e boas perspectivas de crescimento são as melhores escolhas.

Felipe Augusto Russo é investidor e autor do livro de análise fundamentalista “Avaliando Empresas, Investindo em Ações”.

Última atualização ( Dom, 13 de Junho de 2010 01:16 )  

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