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O que é longo prazo?

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O que é longo prazo?
O que é longo prazo?

Quando o assunto é “investimentos de longo prazo”, um dos questionamentos inevitáveis é: “quanto é longo prazo?”. É muito comum ouvir falar, por exemplo, que ações são um bom investimento no longo prazo, assim como também se ouve dizer que investir em um lote de terras pode dar bons resultados no longo prazo. Apesar de aparentemente serem orientações idênticas, a interpretação para ações é diferente daquela para terrenos. Eu diria que, enquanto as ações são investimentos de longo prazo, terrenos tendem a ser investimentos de prazo longo.

Se você comprar terras em uma cidade do interior com bom potencial de crescimento, deve estar ciente de que o valor de seus investimentos não mudará significativamente tão cedo, a não ser que você tenha alguma informação privilegiada sobre obras de desenvolvimento. O aumento de valor dependerá da implantação de infra-estrutura, urbanização da região e desenvolvimento do município em que se encontram suas terras. Se o desenvolvimento demorar a surgir, o prazo para perceber o aumento do valor de seu terreno pode ser bastante longo. Por outro lado, dificilmente se observará perdas sensíveis de valor, a não ser que instalem um presídio no terreno vizinho ao seu. O risco do investimento não é muito significativo.

Já quem ouve falar que ações são investimentos de longo prazo deve ficar um tanto confuso ou indevidamente entusiasmado ao notar que, por exemplo, o Índice Bovespa valorizou-se cerca de 42% nos últimos doze meses, e 174% nos últimos 36 meses. Se é de longo prazo, como se explica tamanho ganho em tão curto espaço de tempo? Na verdade, enquanto é praticamente certo que seus ganhos com terrenos só aparecerão depois de muito tempo, nos investimentos em renda variável é impossível garantir se você ganhará muito ou pouco – ou até se perderá dinheiro – nos próximos meses.

Nas projeções de rentabilidades que faço para clientes, suponho uma estimativa de ganhos médios ao longo de vários anos. Quando me questionam sobre minha previsão para os ganhos com ações para os próximos doze meses, a melhor resposta que tenho é “não sei”. Não dá para saber. Posso chutar uma estimativa, mas eu mesmo não confio neste chute. A valorização das ações não depende apenas do sucesso da empresa, nem do sucesso da economia, nem da paz no mundo. Depende também do humor dos investidores, como mostrou a crise light de maio, com a fuga de capitais do Brasil causada pela elevação dos juros nos Estados Unidos. Quem não teve urgência para usar seus recursos e manteve suas posições está lentamente recuperando suas perdas. Os oportunistas, que viram na crise efeitos temporários e investiram mais, estão colhendo os lucros de uma Bolsa de Valores que se valorizou mais de 12% no ano, bem acima dos 9% do CDI.

As perspectivas são otimistas para as ações nos próximos meses, mas, mesmo assim, se você pensa em investir nelas seus recursos, minha orientação é que o faça somente se puder manter os investimentos por vários meses, ou seja, que o faça com uma visão de longo prazo. O motivo desta recomendação é a base de um investimento de risco: para assumir riscos consideráveis, você precisa de desprendimento em relação ao dinheiro. Cuidado para não confundir com desapego (“topar perder”). O que quero dizer com desprendimento é simplesmente que você não deve ter compromissos com data marcada para utilizar os recursos que são investidos em ativos de risco.

A título de exemplo, imagine um casal que tem casamento marcado para o final do próximo ano. Apesar de terem vários meses pela frente, a recomendação de investimentos é pela conservadora renda fixa, pois cada centavo ganho terá uma utilidade bastante definida em uma data que se aproxima. Por outro lado, se um casal pensa apenas em fazer uma bela viagem ao final do próximo ano, não é imprudente recomendar que os recursos sejam investidos em ações. Se tiverem ganhos significativos, poderão viajar antes do planejado, ao atingir a meta do orçamento de viagem. Porém, se a bolsa despencar antes que eles resgatem seus recursos, terão plenas condições de adiar por alguns meses seu sonho de viajar. Isso é o significado de desprendimento.

Da mesma forma, se a reserva financeira para a faculdade de seus filhos está em uma carteira de ações, sugiro que, ao perceber sensíveis altas nas ações quando estiver a menos de um ano de seu objetivo, você se prepare para resgatar os recursos e alocá-los em renda fixa. Afinal, acredito que você não se sentirá confortável em pedir a seu filho de adie por um ano o vestibular só para dar chance da bolsa se recuperar, concorda?

É por esta percepção que mesmo investimentos de longo prazo podem dar bons resultados em um curto período de tempo. Isso só acontece porque não são investimentos de prazo longo, mas sim investimentos de risco.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.

Última atualização ( Qua, 28 de Julho de 2010 00:15 )  

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